2026-09-18 | Notícias
A Maia guarda, nos seus templos e paisagens, um património sonoro que atravessa séculos, estilos e geografias musicais.
Os seis pontos de passagem que apresentamos convidam à descoberta de uma geografia musical e patrimonial, onde os órgãos de tubos revelam a riqueza artística e histórica do concelho, para além dos grandes centros urbanos.
Águas Santas | A tradição ibérica do século XVIII
Em Águas Santas, na Igreja de Nossa Senhora do Ó, destaca-se um órgão histórico de tipo ibérico, datado do século XVIII, de autor desconhecido.
Restaurado em 1999 por António Simões, este instrumento representa a tradição organaria ibérica e a centralidade da música sacra na vida comunitária.
Aqui, o território revela-se através do som, preservando uma herança que atravessou gerações.
Cidade da Maia | O diálogo entre tradição e contemporaneidade
Na Igreja Nossa Senhora da Maia, destaca-se o grande órgão Siegfried Schmid, inaugurado em 2019.
Este instrumento contemporâneo estabelece um diálogo entre passado e presente, com uma visão atual da música para órgão, e do seu lugar na vida cultural da cidade.
Gueifães | Manuel de Sá Couto e a mestria da organaria portuguesa
Na Igreja de São Faustino, em Gueifães, encontra-se um órgão construído por Manuel de Sá Couto, no início do século XIX, mais concretamente em 1810.
Com um teclado manual e doze meios registos, este instrumento testemunha a mestria de um dos mais importantes organeiros portugueses.
Restaurado em 1999 pela Oficina e Escola de Organaria, este ponto de passagem valoriza o saber-fazer nacional e a continuidade da tradição musical.
Milheirós | Continuidade e identidade sonora
A Igreja São Tiago de Milheirós integra este itinerário com outro órgão histórico de tipo ibérico, igualmente da autoria de Manuel de Sá Couto.
Construído por volta de 1800 e restaurado em 1992 por António Simões, este instrumento reforça a presença da organaria portuguesa no território e a sua ligação à identidade local.
Moreira | Arp Schnitger e a herança europeia da organaria
Na Igreja do Divino Salvador, em Moreira, encontra-se um dos instrumentos mais antigos e relevantes deste itinerário, um órgão de tubos construído em 1701 por Arp Schnitger, em Hamburgo.
Figura maior da organaria europeia, Schnitger deixou um legado que atravessou fronteiras e séculos.
Este ponto de passagem liga a Maia aos grandes centros musicais da Europa do Norte, revelando a dimensão internacional do seu património sonoro.
Nogueira e Silva Escura | O órgão como herança do século XIX
Na Igreja de Santa Maria de Silva Escura, em Nogueira e Silva Escura, encontra-se um órgão histórico do século XIX, também atribuído a Manuel de Sá Couto.
Este ponto de passagem evidencia a evolução da organaria ibérica ao longo do século XIX e a sua permanência nas comunidades locais.
Estes pontos de passagem revelam uma Maia sonora, feita de contrastes entre tradição e modernidade, onde o património musical se constrói a partir dos lugares, dos instrumentos e das histórias que neles permanecem.
Visite-nos e deixe-se conduzir pelo Itinerário dos Órgãos de Tubos da Maia, onde o território se escuta, a história ganha som e a cultura se descobre a cada passagem.