2026-09-10 | Notícias
No extremo ocidental da Maia, Vila Nova da Telha guarda uma história feita de trabalho, tradição e ligação profunda ao território. Entre antigos fornos de telha, pinhais, património religioso e a proximidade do Atlântico, há muito para descobrir.
Chegar a Vila Nova da Telha é sentir que estamos no extremo ocidental da Maia. A proximidade do Aeroporto Francisco Sá Carneiro e do oceano Atlântico faz-se sentir na paisagem e na brisa que atravessa os antigos campos, as casas de lavoura e as zonas habitacionais que hoje marcam a freguesia.
Mas esta é também uma terra com uma história muito mais antiga. Documentos do Mosteiro de Moreira referem Vila Nova da Telha como “Vila Nova de Moreira” ou “Vila Nova da Maia”, revelando a ligação ancestral entre estas duas comunidades.
No centro desta memória encontramos a igreja matriz seiscentista, onde merece especial atenção o painel das Almas, a antiga mesa da audiência, testemunho dos tempos em que ali se resolviam questões da comunidade, e o cruzeiro erguido em 1940 para assinalar o duplo centenário da fundação e da restauração de Portugal.
O próprio nome da freguesia conta uma parte importante da sua história. “Da Telha” não surgiu por acaso: durante séculos, este território foi uma importante zona de produção de telha. Pinho Leal, no Portugal Antigo e Moderno, recorda essa tradição e a existência de lugares como o Campo da Telheira, o Campo do Forno e a Casa do Telhado. Segundo o mesmo autor, a telha produzida em Vila Nova da Telha terá sido utilizada em edifícios como o Quartel de Santo Ovídio, no Porto, o Mosteiro de Leça do Balio e várias igrejas paroquiais da Maia.
Também os antigos pinhais fazem parte desta memória. Em tempos de maior dificuldade económica, a apanha das pinhas constituía uma importante fonte de rendimento para muitas famílias. Eram sobretudo as mulheres, conhecidas como “pinheireiras”, que desempenhavam esta tarefa, vendendo as pinhas a padarias e confeitarias do Porto e de Matosinhos. Uma atividade exigente que revela bem a capacidade de trabalho, resistência e adaptação das gentes de Vila Nova da Telha.
A história da freguesia é, afinal, uma história de permanência e transformação. Já em 1121 surge documentada a designação “Vila Nova” e, no século XIII, a igreja é referida como Sancta Maria de Villa Nova. Mais tarde, em 1678, D. João de Sousa acrescentaria oficialmente a expressão “da Telha”, nome que atravessou os séculos e chegou aos nossos dias.
Como escreveu o Padre Joaquim José Moreira dos Santos, a história de Vila Nova da Telha remonta ao período suévico-visigótico, mantendo ao longo dos séculos uma identidade própria.
Hoje, entre a memória dos antigos fornos, os vestígios dos pinhais, o património religioso e a proximidade do Atlântico, Vila Nova da Telha continua a afirmar-se como uma terra de identidade forte, onde passado e presente convivem lado a lado.
Uma terra com história, com horizonte e, sobretudo, com muitas histórias ainda por contar.