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Igreja do Divino Salvador - Moreira

Arquitetura religiosa, maneirista, pertencente ao outrora Mosteiro de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, com igreja de planta longitudinal alongada, teto em canhão formando caixotões e fachada com galilé aberta com três arcos rectos. Segue o mesmo modelo planimétrico e gosto estético desenvolvido no Mosteiro de Grijó e, de forma generalizada, por toda a arquitetura do Noroeste de Portugal. Caracteriza-se pela simplificação do modelo de Grijó. Segundo Carlos Ruão, o segundo corpo da fachada é anormalmente alteado em relação ao primeiro, contribuindo assim na eleição de um falso corpo intermédio, de pseudo plintos onde assenta a ordem superior. Tratamento da fachada como um enorme retábulo de grande verticalidade, geometricamente tripartida, mas contrariada por dois enormes entablamentos que, se marcam os dois registos, cortam essa mesma verticalidade. As torres localizam-se na transição entre a capela-mor e a nave.
Igreja de nave única, precedida por galilé, transepto inscrito, capela-mor retangular, torres sineiras quadradas flanqueando o extremo da nave, adossando-se ainda a Norte a capela, a Sul a sacristia e corpo em granito aparente destinado a instalações sanitárias no prolongamento da fachada principal. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e capela-mor e de três nos restantes corpos. Fachada principal orientada a Oeste com cunhais de cantaria sobrepujados por cruzes, e superfície ligeiramente destacada em cantaria ritmada por pilastras e várias cornijas; no registo inferior, de ordem toscana, galilé aberta por três vãos de verga reta e no superior, de ordem jónica, duas almofadas côncavas e ao centro vão de verga curva. A fachada termina em empena rebocada com relógio central e duas portas simples laterais dando acesso a um varandim corrido de balaustrada em granito. Torres com alçado de uma e duas sineiras com cobertura piramidal. A galilé com teto em caixotões é fechada por portões de ferro. Portal da igreja de arco pleno ladeada por duplas colunas estriadas com o terço inferior decorado. No interior, coro-alto de grandes dimensões com cadeiral apoiado sobre extenso arco abatido e órgão de armário. Teto em abóbada de canhão formando caixotões na nave e capela-mor. As duas capelas colaterais apresentam altares dourados e policromados. Capela-mor revestida a azulejos de padrão, azuis e amarelos.
Em "Estudos sobre a Terra da Maia" José Vieira de Carvalho destacou a talha dourada da igreja; mas de igual importância surge o seu órgão de tubos com 12 registos, construído na oficina de Hamburgo pelo grande mestre organeiro alemão Arp Schnitger (1648-1719).
Em 1853, Siwert Meijer, organista holandês, indicava que Schnitger tinha enviado para Portugal dois órgãos novos, cada um com 12 registos, dois teclados e um fole. Em 1974, Gustav Fock, biógrafo de Arp Schnitger, declarou que o paradeiro destes órgãos era desconhecido. O instrumento foi localizado nos anos 80, na Igreja de Moreira, e restaurado em 1998, pelo mestre organeiro alemão Georg Jann. No decorrer dos trabalhos encontraram duas inscrições na torre do lado esquerdo: "bey (Herrn) Schnitger in Arbeit" - "um trabalho do (Senhor) Schnitger” e "Anno 1701 den 9 May" (Ano 1701 dia 9 de Maio) pela mão de Arp Schnitger. Confirmou-se assim a sua autoria.
Segundo o Dr. Maia Marques, é relatada a importância do Mosteiro de Moreira como Albergue e a presença de ilustres visitantes. Em 1594, Monsenhor Fabio Biondo de Montalto, Bispo de Jerusalém e Núncio Apostólico em Portugal e o seu secretário Giovanni Battista Confalonieri, peregrinaram a Compostela legando um itinerário minucioso dos caminhos seguidos. A 27 de abril saem de Grijó onde pernoitaram dirigindo-se ao Porto “duas léguas distante”. Vêem a cidade e seguem para o mosteiro crúzio de Moreira, já que tinham pressa em chegar a Compostela. Referem-se à grande hospedaria do mosteiro, por no lugar nada mais haver, à igreja pequeníssima de que se servem os monges e à nova que estavam edificando. Narra que o mosteiro é lugar de romagem, continuamente visitado, porque possui “un tesoro inestimable” um pedaço do lenho sagrado, a que atribuem muitos milagres. Retomam, no dia seguinte, a viagem por Mindelo e Azurara. A 26 de fevereiro de 1669, Cosme de Médicis e a sua comitiva chegam ao Porto. Acompanhava-o um séquito de 40 pessoas. Descreve a cidade e a Sé. No dia 27 vai a Moreira, falando o cronista Lorenzo Magalotti, do caminho “per campagna mescolata di salvatico e domestico”. Almoça no Mosteiro. Na comitiva de Cosme de Médicis, viajava também o pintor e arquiteto Pier Maria Baldi verdadeiro repórter “fotográfico”.

Fonte: Monumentos.pt

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